O CEsA – Centro de Estudos sobre África e Desenvolvimento (ISEG Research) lançou em março de 2025, o seu primeiro clube de leitura, sob a rubrica Development Studies e sob a coordenação da investigadora Susana Brissos, professora auxiliar convidada do ISEG – Universidade de Lisboa.
O Clube de Leitura Development Studies sobre Literaturas Africanas nasceu para assinalar e homenagear os 50 anos das Independências Africanas. As leituras iniciais foram: Nós, os do Makulusu, do angolano José Luandino Vieira e Terra Sonâmbula, do moçambicano Mia Couto.
A próxima leitura é Niketche: Uma História de Poligamia, de Paulina Chiziane (Moçambique). A sessão terá lugar no dia 16 de abril, às 17h30 às 19h00, na Sala 209 do Edifício Francesinhas 1.
A participação é gratuita e a discussão decorrerá em português.
Sinopse do livro “Uma História de Poligamia (Paulina Chiziane)”
Rami, casada há vinte anos com Tony, um alto funcionário da polícia, de quem tem vários filhos, descobre que o partilha com várias mulheres, com as quais ele constituiu outras famílias. O seu casamento, de «papel passado» e aliança no dedo, resume-se afinal a um irónico drama de que ela é apenas uma das personagens. Numa procura febril, Rami obriga-se a conhecer «as outras». O seu marido é um polígamo! Na via dolorosa que então começa, séculos de tradição e de costumes, a crueldade da vida e as diferenças abissais de cultura entre o norte e o sul da terra que é sua, esmagam-na. E só a sabedoria infinita que o sofrimento provoca lhe vai apontando o rumo num labirinto de emoções, de revelações, de contradições e perigosas ambiguidades. Poligamia e monogamia, que significado assumem? Cultura, institucionalização, hipocrisia, comodismo, convenção ou a condição natural de se ser humano, no quadro da inteligência e dos afetos? Paulina Chiziane estende-nos o fio de Ariadne e guia-nos com o desassombro, a perícia e a verdade de quem conhece o direito e o avesso da aventura de viver a vida. Niketche, dança de amor e erotismo, é um espelho em que nos vemos e revemos, mas no qual, seguramente, só alguns de nós admitirão refletir-se.
