Aluno: Alina Yarosh
Resumo
A invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022, expôs a vulnerabilidade estrutural da União Europeia
face à sua dependência do gás natural russo, que representava 45% das importações europeias de gás em 2021.
A presente dissertação analisa as medidas adotadas pela UE para reduzir e eliminar essa dependência,
articulando a resposta de emergência com a transição energética de longo prazo.
Através do plano REPowerEU, a UE combinou três estratégias: redução do consumo energético (19,3%
em seis meses), diversificação de fornecedores (Noruega, EUA, Norte de África) e investimento acelerado em
infraestruturas de GNL (70 bcm de nova capacidade). Em 2025, a quota do gás russo caiu para 12%, sem ruturas
de abastecimento. O choque energético gerou inflação recorde de 8,4% em 2022, mas a recessão foi evitada e
os preços normalizaram-se progressivamente.
A crise funcionou como catalisador da transição energética: as renováveis ultrapassaram o gás e o
carvão no mix elétrico europeu, as metas do Fit for 55 foram reforçadas e o investimento em energias limpas
acelerou. No entanto, persistem desafios — o aumento temporário das importações russas em 2024, novas
dependências estratégicas (matérias-primas críticas), riscos de lock-in em GNL e tensões entre a rapidez da
transição e as garantias ambientais e sociais. A dissertação conclui que a segurança energética e a
descarbonização são objetivos convergentes no longo prazo, e que a crise de 2022, não obstante os seus custos,
acelerou uma transformação estrutural indispensável.
Trabalho final de Mestrado