Aluno: PatrÍcia Alexandra Messias Silva
Resumo
A sub-representação das mulheres em cargos de gestão continua a ser um dos principais
desafios das sociedades contemporâneas, sobretudo em setores tradicionalmente masculinos,
como é o caso do financeiro e, em particular, o bancário. A literatura tem teorizado sobre o
fenómeno do glass ceiling, ou “teto de vidro”, uma metáfora que ilustra a segregação sexual
vertical e remete para barreiras invisíveis que limitam a progressão das mulheres ao topo da
hierarquia organizacional. A presente dissertação pretende analisar o compromisso das
instituições bancárias em Portugal com o equilíbrio entre homens e mulheres nos órgãos de
administração. A análise é orientada pela Lei n.º 62/2017, de 1 de agosto, que determina o
regime de representação equilibrada de mulheres e homens nos órgãos de administração e
fiscalização das entidades do setor público empresarial e das empresas cotadas em bolsa.
Procura-se compreender se as instituições vinculadas à Lei explicitam um maior
compromisso institucional com o equilíbrio de género em órgãos de administração do que
aquelas não vinculadas por esta legislação. Foi adotada uma abordagem mista, que combinou
uma análise descritiva de dados secundários, disponibilizados pela Associação Portuguesa
de Bancos, para o período compreendido entre 2010 e 2024, com uma análise qualitativa de
conteúdo temática dos instrumentos de política institucional dessas instituições. Os
resultados revelam uma evolução positiva relativamente à representação de mulheres nos
órgãos de administração do setor bancário em Portugal. Ainda que o número de instituições
bancárias vinculadas à Lei seja muito restrito, o estudo indica que estas não são,
necessariamente, aquelas que revelam um maior equilíbrio de género, apesar de explicitarem
um maior compromisso institucional com a igualdade de género. Esta evidência pode sugerir
que a evolução positiva não foi indiferente às orientações das instituições de regulação e
supervisão do setor, no sentido de um maior equilíbrio de género nos respetivos órgãos de
gestão.
Trabalho final de Mestrado