Aluno: Ricardo Manuel Da Silva Mateus
Resumo
Em contextos orientados para resultados e metas exigentes, a pressão de desempenho tem
vindo a afirmar-se como um fenómeno crescente e a moldar as práticas organizacionais e
de trabalho. Neste contexto, esta forma de pressão configura uma experiência que induz
os trabalhadores a intensificar os seus esforços, gerando consequências substanciais. As
reações a esta pressão são moldadas pela forma como é avaliada: quando é interpretada
como ameaça promove o esgotamento da autorregulação, mas quando é avaliada como
um desafio, promove a execução aprimorada das tarefas e comportamentos de cidadania
organizacional (CCO). Neste processo, a autoeficácia atua como fator moderador, capaz
de mitigar os efeitos negativos e servir de catalisador do desenvolvimento e manutenção
de comportamentos voluntários no ambiente de trabalho.
A presente investigação visa então compreender a relação entre pressão de desempenho
e os CCO, tendo em consideração o papel moderador da autoeficácia e a influência das
perceções de ameaça/desafio como variáveis mediadoras do processo. Foi utilizada uma
metodologia quantitativa, com base na aplicação de um questionário que envolveu 257
inquiridos. Os resultados demonstram que não existe significância estatística na relação
direta entre pressão de desempenho e CCO, nem quando esta relação é mediada pelas
avaliações de ameaça/desafio. Observa-se que existe moderação da autoeficácia, quando
a pressão de desempenho é avaliada como desafio, reforçando positivamente os CCO.
Em contrapartida, quando avaliada como ameaça, a autoeficácia não é suficiente para
atenuar os efeitos negativos sobre esses comportamentos. Em termos de implicações
práticas, este estudo contribui para a definição de estratégias de desenvolvimento dos
CCO, onde se incluem ações de formação de autoregulação, diagnósticos de clima
organizacional e intervenções de job redesign.
Trabalho final de Mestrado