Aluno: JoÃo Rafael Pereira AraÚjo
Resumo
A rápida disseminação da adoção de critérios ambientais, sociais e de governança (ESG)
mudou as expectativas das instituições financeiras, alargando as considerações de
sustentabilidade para além da divulgação corporativa. Embora a literatura tenha estudado
amplamente a adoção dos critérios ESG por uma organização a nível global, pouca
atenção empírica foi dada à forma como esses critérios são operacionalizados no setor
bancário institucional.
Este relatório foi realizado no âmbito de um estágio curricular realizado no Banco
Atlântico Europa (BAE). O estudo adota uma metodologia qualitativa baseada em
entrevistas semiestruturadas com gestores de relacionamento e diretores do Departamento
de Instituições Financeiras. Os dados das entrevistas foram transcritos e analisados por
meio de uma estratégia de codificação híbrida dedutivo-indutiva no MAXQDA. A análise
centra-se nas perceções sobre ESG, nos principais fatores impulsionadores e barreiras à
adoção e no papel dos bancos correspondentes na difusão de padrões ESG.
Os resultados mostram que a integração ESG no BAE é percecionada como
meramente regulamentar e impulsionada por fatores externos. As preocupações com a
reputação em relação aos bancos correspondentes de primeiro nível emergem como o
principal impulsionador da adoção de ESG, enquanto a procura limitada dos clientes, a
falta de qualidade dos dados recolhidos, as restrições de capital humano e as
considerações de custos organizacionais constituem barreiras significativas. Os conceitos
ESG estão pouco disseminados na organização e, em grande parte, confinado a dimensões
relacionadas à governança.
Em suma, o trabalho contribui para a literatura sobre ESG ao reestruturar a adoção
de princípios de sustentabilidade como um processo relacional e institucional, destacando
o papel de gatekeeping dos bancos correspondentes na difusão do ESG no sistema
financeiro global.
Trabalho final de Mestrado