O Verão chegou e a Biblioteca do ISEG convidou os professores a partilharem sugestões de leitura para estas férias.
São livros que inspiram, desafiam e fazem pensar — histórias e ideias que nos ajudam a olhar o mundo com outros olhos e a alimentar a imaginação durante os dias longos de Verão. Esperamos que estas recomendações sejam boas companheiras de viagem, praia ou sofá, e que despertem novas curiosidades para o próximo ano letivo!
A partir de 3 de agosto, estas obras estarão disponíveis para requisição no piso 1 da Biblioteca.

O Império dos Homens Bons, de Tiago Rebelo
Drama Histórico de leitura leve, como devem ser as férias.


O Nome da Rosa, de Umberto Eco
O Nome da Rosa, de Umberto Eco, é uma excelente leitura pelos temas que aborda. Um intrigante mistério passado num mosteiro medieval, convida o leitor a refletir sobre o poder, a informação, a manipulação do conhecimento e a importância do pensamento crítico.
A investigação de Guilherme de Baskerville mostra como a análise rigorosa dos factos e a capacidade de questionar pressupostos são competências essenciais, tanto para desvendar crimes como para liderar organizações. É, simplesmente, um grande romance: uma leitura cativante e agradável, capaz de proporcionar verdadeiro prazer.


A Criação do Mundo, de Miguel Torga
Um livro magnífico, com uma escrita cristalina, cuidada.
Com uma narrativa fascinante, em prosa poética, o livro atravessa o século XX português através da vida do autor, relatando as condições de vida no campo, a emigração, o acesso ao ensino, a ditadura e a repressão política – bem como as experiências homólogas europeias – a vida na cidade e, por fim, a conquista da liberdade.
Uma excelente imagem do país que fomos até há pouco, bem como uma ótima lição de escrita. Um bom livro para aproveitar melhor o verão.


The Psychology of Money, de Morgan Housel
Embora as nossas aulas estabeleçam as bases para o teu desenvolvimento académico e profissional, dominar a vertente pessoal das finanças é uma competência essencial para a vida que, muitas vezes, é deixada de lado nas aulas! Esta leitura cativante é o complemento de verão perfeito para os teus estudos, dando-te uma vantagem inicial na construção de hábitos financeiros saudáveis para o futuro.


A História Secreta, de Donna Tartt
Uma história hipnótica que acompanha um grupo de estudantes muito inteligentes, movidos por excesso de orgulho e ausência de limites morais.
Seduzidos pela excelência, pela beleza e pela ideia de pertencer a um círculo raro, esta obra misteriosa mostra como a ambição pode transformar pessoas brilhantes em participantes de decisões irreversíveis, cúmplices de atos que nenhum talento, cultura ou inteligência pode justificar.


O Deus das Moscas, de William Golding
O Deus das Moscas (Lord of the Flies), publicado por William Golding em 1954, é uma daquelas leituras que não nos deixa imunes. Mais do que uma história sobre sobrevivência, o livro é um espelho desconfortável sobre a própria natureza humana.
Um grupo de rapazes britânicos fica preso numa ilha deserta após um acidente de avião, sem adultos. Longe das regras da sociedade, o que começa como uma aventura idílica rapidamente se transforma num pesadelo. Golding usa a pureza teórica da infância para mostrar que os impulsos de poder, crueldade e sobrevivência não são exclusivos dos adultos; estão enraizados no ser humano.
Com pouco mais de duzentas páginas, O Senhor das Moscas é um murro no estômago literário. É um livro tenso, simbólico e terrivelmente atual, que se lê num fôlego, mas que fica a ecoar na nossa mente durante algum tempo.


The Clash of Civilizations and the Remaking of World Order, de Samuel P. Huntington
Recomendo este livro porque oferece uma leitura provocadora sobre a relação entre cultura, política internacional e dinâmicas globais, temas centrais para quem estuda e tem interesse por Negócios Internacionais.
Num momento marcado por tensões geopolíticas, esta obra não só ajuda a compreender o contexto mundial, como sobretudo incentiva a refletir sobre a complexidade do ambiente em que empresas e Estados atuam.


Nem Sempre as Árvores Morrem de Pé, de Luísa Sobral
Um romance leve, com um enredo surpreendente, que nos ensina muito sobre a vida na Alemanha durante e no pós-guerra. Uma excelente leitura de verão.


We Are All Targets: How Renegade Hackers Invented Cyber War and Unleashed an Age of Global Chaos, de Matt Potter
É um tema muito atual, explica como apareceu e foi fomentado o crime cibernético, escrito por um jornalista e autor britânico. O livro explora como hackers, governos e redes criminosas contribuíram para a evolução dos ataques informáticos e do conflito digital global.


As Leis Fundamentais da Estupidez Humana, de Carlo M. Cipolla
O livro é uma excelente lição sobre a Humanidade e sobre a forma como ela se comporta e poderá ser uma lição que ficará para toda a vida. Sendo Cipolla um economista e um professor universitário o seu “Tratado” é uma forma muito satírica de nos dar uma lição sobre a estupidez: “Uma pessoa estúpida é o tipo de pessoa mais perigoso. […] Uma pessoa estúpida é mais perigosa do que um bandido”. Assim além de se ler um divertido tratado e de se refletir sobre os males que um estúpido pode fazer, ainda nos garante a nossa defesa pessoal contra essa praga de estúpidos. É que, recorde-se, a percentagem de estúpidos numa sociedade é independente do grupo social tomado, inclusivamente, o dos docentes do ensino superior…


Corporate Rebels: Make Work More Fun, de Joost Minnaar e Pim de Morree
Esta obra fornece uma excelente perspetiva histórica acerca das crises financeiras, dos seus aspetos específicos, mas, principalmente, dos determinantes e consequências comuns, permitindo desfazer mitos acerca de desenvolvimentos económicos ou tecnológicos que possam ser utilizados para justificar períodos de exuberância nos mercados financeiros.


Images of Organizations, de G. Morgan
É um livro essencial para se compreender, analisar, e pensar sobre as organizações e sobre a organização do mundo do trabalho.
O autor britânico/canadiano estimula a pensar sobre as organizações humanas de forma multidimensional, usando o conceito de metáforas, ou imagens. Isto permite aos gestores ampliar a sua capacidade de interpretar situações complexas e criar novas formas de pensar e agir dentro das organizações.
A obra demonstra que nenhuma metáfora isolada, seja pensar a organização como máquina, organismo, ou cérebro, é suficiente. Em ambientes organizacionais cada vez mais ambíguos, turbulentos, e influenciados pela digitalização, a capacidade analítica humana é fundamental para se compreender onde se está e para onde caminhamos.


Sapiens – História Breve da Humanidade, de Yuval Noah Harari
Por que é que os seres humanos dominam o planeta? Como passámos de pequenos grupos de caçadores-recoletores para sociedades globais com cidades, empresas, Estados e tecnologia avançada? Sapiens é uma leitura envolvente que ajuda a compreender de onde vimos e porque somos como somos.


Um tratado sobre os nossos atuais descontentamentos, de Tony Judt
O livro tem uns dezasseis anos, mas os descontentamentos só se aprofundaram desde então. Esta reflexão de Tony Judt, historiador britânico precocemente falecido, é, além de acessível, imprescindível para quem se preocupa com a contração do espaço da boa política, em que deveria vingar a discussão e prossecução das diversas conceções de justiça, em detrimento do alargamento do espaço do económico, de tal modo que tudo ou quase tudo a ele se subordina. Julgo que este tema e estas preocupações podem ser particularmente pertinentes e alertantes precisamente para aqueles, que, como nós no ISEG, todos os dias imergem no estudo da economia e da gestão.


The Marginal Revolution: Rise and Decline, and the Pending AI Revolution, de Tyler Cowen
Ele é de acesso livre na internet, em Explore The Marginal Revolution Generative Book by Tyler Cowen.
Este é um livro que parte de um conceito que os alunos aprendem logo no primeiro ano de Microeconomia e mostra como ele pode ser importante para entender os comportamentos, as decisões, as opções de política e o mundo. Muito atual, reflete sobre o impacto que a Inteligência Artificial terá sobre a Economia e sobre o uso do marginalismo. Trata-se de uma leitura simultaneamente acessível e intelectualmente estimulante.


O Nosso Iceberg está a derreter, de John Kotter e Holger Rathgeber
Uma leitura envolvente que, tal como uma brisa fresca em pleno verão, convida à reflexão sobre decisões em contextos exigentes e imprevisíveis. Este livro é especialmente relevante para futuros gestores, ao explorar a liderança sob pressão e a importância de manter uma visão estratégica em cenários e condições adversos. Simultaneamente, funciona como um alerta subtil para a urgência da sustentabilidade nas escolhas que moldam o presente e o futuro.


Quando os Lobos Uivam, de Aquilino Ribeiro
Uma obra ímpar da literatura portuguesa, uma narrativa tocante sobre a vida dos camponeses durante o Estado Novo. Um retrato de miséria, injustiça e revolta que nos confronta com o sofrimento imposto ao povo português pela ditadura salazarista, mas também com a enorme dignidade das gentes humildes na luta pelos seus direitos.


O Jogo dos Milhões, de Gary Stevenson
Neste livro o autor relata a sua ascensão desde uma infância modesta até se tornar um dos mais bem-sucedidos traders da banca de investimento, oferecendo uma reflexão crítica sobre a desigualdade económica. Ao longo da obra, G. Stevenson sugere que, num mundo cada vez mais orientado por dados, os economistas com uma formação matemática mais sólida terão uma vantagem competitiva significativa e melhores oportunidades profissionais no futuro.


Poesia Toda, de Herberto Helder
Num registo mais lírico do que académico, deixo-vos aquele que considero um dos maiores poetas da nossa Língua. Que a voz da transformação humana através do surrealismo, e a ética da intensidade e do rigor dos poemas de Herberto vos possam servir de provocação útil. Uma revisita da condição humana em contextos de fraca linearidade e profunda incerteza.
